REBORDOSA

Exposição Individual

Curadoria

Leonardo Penna

Expografia

Liara Trindade

Rodrigo Mattos


Texto Curatorial

Sempre no depois. Um peso que se arrasta no após. O corpo pesado, a mente turva, os rastros de uma noite de excessos. É o que sobra. Mas talvez também seja aquilo que fica no canto da visão, fora de foco. No rescaldo da Semana Farroupilha, quando o Rio Grande do Sul celebra com fervor a figura do “gaúcho”, é possível sentir uma outra ressaca: a que emerge quando esse mito é atravessado pelo brilho da luz neon. O que fica quando essa luz se apaga e a gaita fica em silêncio? O que fazer depois de chegar no horizonte?

A cultura gaúcha, ao longo da história, foi tecida como narrativa de pertencimento e tradição. Mas como toda narrativa, deixa escapar excessos, sombras, resíduos. É nesse terreno que Erick Leal finca sua pesquisa, habitando o que ele chama de “tapera neon”: espaço onde a tradição encontra o desejo. Lugar que não está localizado entre dois pontos, dois centros, mas orbitando uma outra história.

Ao longo de sua trajetória, o artista expande esse cruzamento entre cultura gaúcha e dissidência em múltiplas linguagens: do desenho e da gravura, onde um homoerotismo antes disfarçado se insinua, à pintura e ao lambe-lambe que ocupam a rua, à fotografia e ao vídeo que adentram e erguem novos territórios, até alcançar a tridimensionalidade por meio de objetos e instalações que fazem esse imaginário “gayúcho” vazar e ocupar o espaço físico. O que antes era sonho ou utopia toma corpo, se encarna no artifício e monta-se em realidade vivida.

Em Rebordosa, esse processo chega a um ponto de torção: não se trata mais de inventar futuros possíveis, mas de lidar com o presente que já existe. É o que sobra da festa, mas também o que inaugura novas linhas do tempo. Pode o “gaúcho” ser repensado fora das normas hegemônicas? O que nasce desse atravessamento, que não é nem uma coisa nem outra, mas uma terceira, uma que se monta na fricção entre ficção e realidade, entre tradição e desvio? É a partir desse terreno de rebordosa que se pode vislumbrar os espectros afetados que habitam esse Estado assombrado e luminoso.

Leonardo Penna

PRÊMIO

A exposição foi contemplada com o 5º Prêmio Maria Cult categoria Exposição 2025.

Registros Vortex Produtora

Ficha catalográfica

Produção da exposição

Curadoria: Leonardo Penna

Expografia: Liara Trindade e Rodrigo Mattos

Material Gráfico: Ana Clara Valadão

Produção Geral

Realização

Museu de Arte de Santa Maria

Prefeitura Municipal de Santa Maria

Apoio

Grupo Arte/Design

Programa de Pós Graduação em Artes Visuais/ UFSM

Centro de Artes e Letras/ CAL

CAPES

Universidade Federal de Santa Maria/UFSM